Comissão é criada para investigar denúncias de assédio e agressão em fábrica de multinacional chinesa em MG
26/06/2026
(Foto: Reprodução) Comissão é criada para investigar denúncias de assédio e agressão em fábrica
Uma comissão foi criada para investigar as denúncias de assédio e agressão envolvendo trabalhadores na fábrica da Midea, multinacional chinesa instalada em Pouso Alegre (MG). A medida foi definida após uma reunião de urgência realizada nesta semana em Belo Horizonte com representantes do Ministério do Trabalho, da empresa e de entidades sindicais.
📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram
O caso ganhou repercussão após a denúncia de que um funcionário teria sido agredido por um gestor com socos e golpes utilizando uma borracha de vedação de geladeira, peça produzida na própria fábrica. Segundo relatos apresentados às autoridades, a agressão teria ocorrido durante o expediente.
Em entrevista à EPTV, afiliada TV Globo, Laércio Diego Maia, operador de máquinas que atua no setor, explicou que a peça citada na denúncia é fabricada em PVC e recebe posteriormente um ímã de ferro em sua estrutura. De acordo com ele, quando finalizada, a borracha pode pesar entre um quilo e um quilo e meio.
Trabalhadores denunciam agressão física e param fábrica de multinacional chinesa em MG
Reprodução EPTV
Leia também:
Produção é retomada em fábrica de multinacional chinesa após denúncia de agressão física em MG
Trabalhadores denunciam agressão física e param fábrica de multinacional chinesa em MG
A Midea informou que afastou o gestor suspeito das agressões. Segundo o superintendente regional do Trabalho em Minas Gerais, Carlos Calazans, o funcionário apontado como agressor, de nacionalidade chinesa, foi retirado imediatamente de suas funções enquanto o caso é apurado.
Ainda conforme Calazans, o funcionário que denunciou as agressões terá proteção contra possíveis retaliações e não poderá ser prejudicado em razão da denúncia.
"A vítima que foi agredida está preservada, inclusive, por emprego. Não vai acontecer com ela nenhuma retaliação, mas é uma situação grave que não pode se repetir nem na empresa Midea e nem em nenhuma outra empresa", afirma o superintendente.
O órgão classificou a situação como grave e reforçou que nenhum trabalhador pode ser submetido a qualquer tipo de violência no ambiente profissional.
Trabalhadores denunciam agressão física e param fábrica de multinacional chinesa em Pouso Alegre
Reprodução EPTV
Comissão acompanhará apuração
A comissão criada para acompanhar o caso terá como objetivo investigar as denúncias, avaliar as condições de trabalho e propor medidas para melhorar o ambiente dentro da fábrica. A partir desta semana, estão previstas reuniões entre representantes da empresa, do sindicato e da Superintendência Regional do Trabalho.
O presidente da Federação dos Metalúrgicos de Minas Gerais, Marco Antônio de Jesus, considerou positiva a reunião realizada com as autoridades. Ele afirma que vai acompanhar de perto a apuração dos fatos e defender que o trabalhador denunciante não sofra qualquer tipo de punição ou demissão em decorrência do caso.
Segundo o representante sindical, além da investigação da agressão, outras questões relacionadas às condições de trabalho também serão discutidas nas próximas reuniões, com o objetivo de evitar novos episódios semelhantes.
Sindicato e empresa negociam melhorias no trabalho após denúncias em fábrica
O que diz a empresa
A Midea Indústria do Brasil informou que já adotou todas as medidas cabíveis em relação ao incidente ocorrido em 15 de junho de 2026 na fábrica de Pouso Alegre (MG). A empresa confirmou que houve um episódio envolvendo um gestor expatriado e um colaborador brasileiro, mas destacou que os fatos não ocorreram nas dimensões divulgadas publicamente.
Após investigação interna, a companhia rejeitou a alegação de que teria ocorrido chicoteamento dentro da unidade. Segundo o comunicado, o caso foi tratado conforme protocolos internos, com escuta das partes envolvidas e ações para garantir a segurança, integridade e respeito no ambiente de trabalho, incluindo o afastamento do gestor. O colaborador segue trabalhando normalmente.
A Midea também afirmou que mantém diálogo com representantes dos trabalhadores e autoridades, além de adotar medidas de melhoria contínua, como reforço na integração intercultural e capacitação de líderes e expatriados. Por fim, ressaltou que não houve paralisação das atividades e que a fábrica continua operando e distribuindo produtos sem interrupções.
Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas